As batalhas da vida são iminentes, inevitáveis. Estamos o tempo todo lutando por alguma coisa. Às vezes, temos êxito e conquistamos o que de fato precisávamos, em outras situações, por falta de sorte ou competência, acabamos saindo derrotados e isso cria um vão pelo meio do trajeto. Você perde o perfume da flor que murchou em seu jardim e se sente inodoro para novas fragrâncias. Mas não pense que houve uma conspiração astral para que tenha sido derrotado, talvez não tenha ousado o suficiente. Quer dizer, ao se ver perdedor, é natural sentir-se frustrado e procurar subterfúgios para explicar a derrocada. Natural também é ver-se abandonado pelo otimismo, pela esperança que o trouxe até aqui. Se o tempo foi perdido, não há como recuperá-lo. Prime pelo que há de vir.
Querendo ou não, envolvemo-nos também em batalhas alheias, torcemos por pessoas, ajudamos em algumas situações, e se essa luta externa não for conquistada, a sensação é unânime: impotência diante do veredicto. No entanto, se for vencida, a alegria é instaurada e dividida entre todos. Mas as alegrias não são iguais! São individuais! Uma batalha individual (apenas essa vou detalhar) tenciona exclusivamente a realização do "eu". O envolvido tem ideais próprios e não deve incluir terceiros na sua história, ainda que divida seus anseios e expectativas. Será sempre uma ação ensimesmada. Que interessa aos outros se ganhou ou perdeu? Somente o seu eu desfrutará dos louros da vitória ou amargará o sabor funesto da derrota.
Pode-se dizer que existem derrotas temporárias, que mais cedo ou mais tarde são compensadas e se transformam em algo bom, que supre o vazio e gera novas expectativas. Já, há derrotas permanentes – o indivíduo marcará sua existência para sempre na causa e na conseqüência dessa ação frustrada. É preciso alertar-se a isso.
As conquistas duradouras, porém, firmam-se num caminho linear do dia-a-dia, resultando em segurança e bem-estar. Mas nem toda conquista é doce, saboreada diariamente como reflexo de algo que deu certo. Pense que existem as intempéries, os imprevistos, o surgir de novas conquistas, e o que era fixo e certo, acaba se esvaindo em dúvidas, colocando um destempero na vida, pairando no ar uma brisa dormente e fria. Talvez tenhamos colocado tanta auto-suficiência nessa conquista, que isso passou a ser algo coletivizado. Não é mais a sua conquista, é no que ela resultou. Talvez a tenhamos realizado de um jeito errado e agora percebemos que ela não era feita de pedra, perene ou dona de todas as verdades.
Precisamos, nessa hora, tirar os sapatos, andar de pés descalços e evitar travar batalhas mentais por conta do pseudo-erro. Ora, não há erro, apenas as necessidades é que mudaram de percurso e o colocaram num abismo psíquico. Mas nada há para pensar... o tempo não voltará para que você lute pela mesma causa de um outro jeito ou que a refaça com mais sutileza e cuidado. Se prefere para o momento conquistar uma louca tempestade à mansidão do vento guardado embaixo dos braços, não se esqueça de secar os cabelos úmidos aos primeiros raios de Sol.
Somos movimento e ação. Nada impedirá que você tente conquistar um novo caminho, e se errar, que sejam erros novos. Se necessita de um novo horizonte, não entre de carona com os outros, tentando justificar o que não o atrai mais ou quais as suas novas perspectivas. Também não perca tempo observando as suas limitações. É a si mesmo que precisa justificar a verdade, as suas necessidades, pois, mais do que lutar e vencer, é preciso contemplar a vitória com prazer. E o prazer é seu!
Lembre-se, não só o mérito; os aplausos são seus. Sim, as conquistas da vida são individuais e os aplausos são só seus. Assim como as alegrias e as tristezas também. Como pode querer se aplaudir se não enxerga que o outro ou os outros são apenas o complemento das suas emoções, não estão entranhados em você. Cada ser é único! Pena que não percebemos isso!
Pequeno Compêndio sobre a Arte da (Des)Conquista ou
Como se livrar de um mala em três lições
Falam tanto em livros e revistas sobre a arte da conquista. Tratados intermináveis em torno deste assunto. Títulos garrafais, como: "Pegue o seu homem", "Fisgue o que é seu", "Deixe-o de quatro", "Pequeno Manual de Sedução ", "Enlouqueça-o na Cama", "1001 Dicas da Conquista Amorosa", e por aí vai.
No entanto, o relacionamento interpessoal é uma caixa de surpresas. Você o conquistou e agora percebe que tem ao seu lado um mala sem alça nem rodinhas. A verdade é que existem homens sem graça, o que se há de fazer? Eles simplesmente decepcionam com o passar do tempo. Tudo aquilo que você fantasiou e pintou nesse suposto "amor a dois", transformou-se num céu escuro, num final de tarde, com pancadas de chuva. E pensar que quando o conheceu, não enxergou que ele era um chato de galochas. Mas como errou tão feio? Perdeu tanto tempo olhando pro belo bumbum dele, que não percebeu a sua cara de paisagem?
Mas nem tudo está perdido, você pode mandar o nó cego pras cucuias. A solução é desconquistar aquilo que lutou tanto pra conseguir. Parece incoerente, mas não dá pra ficar lamentando pra Lua o quanto você se arrepende de ter se encantado por um homem-pochete, e o que é pior, tê-lo carregado pra casa (ou pra cama), não é mesmo?
Quer você o tenha conquistado pelo campo das idéias, da espontaneidade, pela beleza física, humor ou ainda pela química (uau!), nada disso importa agora. Você está arrependida e precisa se livrar dele. Uma mulher não espera, ela exige um homem de atitude, sem essa de bundão, do tipo que ainda manda flores, chama-a de princesa e pede mil desculpas por ter se atrasado cinco minutos. E só fica nisso! Haja paciência!
Bom, você vai precisar de um pouco de tempo e disposição pra despachar o Zé Mané pra bem longe da sua vida. Comece com um bom aquecimento e parta pro ataque pensando muito bem em cada ação pra que o efeito não seja o contrário do que espera. Ele pode grudar mais que carrapato, aí você estará perdida. Lembre-se, se existe um roteiro a seguir, não corte nenhuma fala, nenhuma cena.
Lição 1: Seja pegajosa, chore por qualquer coisa, dê uma de mãe, arranje-lhe um apelido, como, "neném", "tchutchuco" ou "fofucho", fique carente e dengosa, fale o tempo todo em que estiverem juntos. Se não perceber nenhuma inquietação por parte do "sem noção", não desista e avance no roteiro.
Lição2: Ataque de dependente. Homens adoram que você seja um pouquinho dependente e desprotegida, tipo abrir o vidro de azeitonas ou matar uma barata, é bom pro ego masculino, mas tudo o que é demais, enjoa. Por isso, se quiser afastar um homem da sua vida, passe a ser totalmente subordinada a ele, não faça nada sem consultá-lo. Várias ligações serão necessárias durante o dia pra perguntar coisas, as mais banais possíveis: o que ele quer pro jantar, onde guardar as revistas que ele comprou, como se faz pra desligar o computador, que roupa usar na festa de aniversário do seu sobrinho daqui a duas semanas, qualquer coisa mesmo. Não há homem que agüente tanta dependência.
Se nada disso funcionar, eis a lição 3: critique-o em todas as suas ações, reclame de tudo, mexa nas coisas dele, compare-o com outros homens, tenha uns pitis, conte tudo sobre os seus ex, saia apenas com os amigos homens... Aliás, sair com os amigos homens é bem pior do que falar dos ex, pois os amigos continuam lá, sempre presentes. Definitivamente, depois desse golpe derradeiro, ele cantará em outra freguesia.
Enganos à parte, o que você precisa é consertar o erro, mesmo que isso lhe custe bem mais do que o tempo que perdeu pra conquistá-lo. Nada de arrependimentos ou achar que exagerou na dose (um mala merece). Mas vejam, que isso sirva apenas como uma bússola, não um caminho a ser trilhado, ok?
E o pensamento do dia é... Passe uma rasteira na insatisfação e dê asas à liberdade. Afinal, você sabe voar!
Nada melhor do que sair de férias... Quando o dia tão esperado começa a se aproximar, vai dando um friozinho que percorre o corpo todo só de pensar em quanta coisa planejamos fazer, concluir ou até iniciar. Sejam trinta dias ou menos, sempre há um planejamento por trás dessa época anual tão aguardada. Desde a arrumação nas gavetas até aquela noitada com os amigos, tudo é bem-vindo, a liberdade está no ar.
Porém, o período que precede os merecidos dias de descanso são os melhores: andamos com leveza pelos corredores do dia-a-dia a cantarolar baladas sem nexo, apenas denunciando o bem-estar; o respirar é ofegante e pertinaz. Afinal, a rotina sai de cena e entra em foco num descortinar-se colorido o inesperado, o desconhecido, a satisfação pelo descompromisso com as obrigações.
Tudo se quer renovar, desde a aparência, até as causas (ou casos) mal resolvidos, pendentes há tempos e que são colocados de lado para, num momento como esse, serem contemporizados sob novo enfoque. Claro, somos otimistas, resilientes, adaptados às forças das circunstâncias e quando nos vemos diante da idéia de renovação, saímos do refúgio de onde normalmente nos encontramos embrenhados para respirar um aroma nascente, levemente adocicado pela esperança de dias compensadores.
Compensar o quê? Não sabemos claramente o que buscamos, mas é translúcido o que queremos. A liberdade para pensar em nós mesmos, fazer uma incursão intimista e descobrir, de repente, o prazer (de estar vivo, de sentir alegria incondicional, de provocar o contentamento de alguém importante para nós).
O dia chega, as expectativas afloram e vão no fluxo das certezas que construímos mentalmente. Nada há adiante além dos passos rumo ao imponderável. Serão vários os dias de autonomia e cada um com uma promessa diversa. Ir e vir apenas para onde se tiver vontade, de bermudas e chinelos, sem hora de partida, nem de chegada. As janelas estão abertas para a brisa da manhã (ou da noite), tanto faz. O que importará apenas é a elevação do espírito em intensidade máxima.
No entanto, os dias passam desprovidos de magia, realizamos (ou não) as aspirações mentais e eles simplesmente passam. Satisfação? Por certo! Frustação? Alguma! E tudo volta ao normal! O ciclo resoluto e inquestionável de amanhecer e anoitecer, de acordar e dormir, sem pausa para refletir o grau de regozijo que foi conquistado nesses dias encantadores e desoprimidos. Apenas fica a lembrança do que foi (e que vai sumindo no passar das chuvas, no soprar do vento).
O subseqüente às tão sonhadas férias, é, de fato, vazio e tirano. Vão-se alguns sóis para retomar a vida das mesmas ações, dos mesmos sorrisos sem cor, do velho respirar e com os passos já não tão leves pelos corredores do dia-a-dia... Sem cantarolar, é claro!
Pela mais absoluta falta de tempo, vou postar um texto lindo do Willian Shakespeare para me redimir do "You Are in Serious Trouble"
A Vida tem Valor
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... e aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo...
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a se levantar; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando se está com raiva, você tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais.
Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
publicado em Portugal pela Dom Quixote em 2007, chega ao Brasil este mês pela Editora Planeta. Segundo o comentário (lido na Internet), é um relato sobre ser prostituta... com todas as interessantíssimas peculiaridades da profissão. É narrado em primeira pessoa e o assunto principal é "sexo". Incrível não, se não tivessem "traduzido" o assunto do livro, ninguém adivinharia. Afinal, uma prostituta deve desempenhar muitas outras funções para ter que esclarecer do que trata "a obra", não acham?
O interessantíssimo livro conta uma história real – Paula Lee – uma amante profissional, que vende prazer e para isso aluga o corpo (ou seria, aluga prazer e vende o corpo?). Como queiram! A análise mais interessante que li a respeito da "narrativa autobiográfica" é que são abordados fatos interessantíssimos do cotidiano (o que pode ter de interessante no cotidiano?), desafios, mistérios e segredos do sexo pago... Segredos? Que segredos?
Ah, vale lembrar também que na interessantíssima crítica há uma explicação sobre a autora, afirmando que não se trata de uma prostituta que virou escritora e sim, uma escritora que virou prostituta. Essa eu não entendi! Como assim?
Ironias à parte, tenho mais o que fazer na vida do que perder o meu preciosíssimo tempo com "interessantes relatos" do cotidiano desafiador, misterioso, secreto e sexual de quem quer que seja.
PS: Será que corremos o risco dessa interessante obra virar best-seller a la Bruna Surfistinha com o seu "O Doce Veneno do Escorpião"?
Se você está se sentindo abandonado(a) feito cachorro sem dono, com falta de ânimo até pra ir à esquina comprar aquele pão quentinho, não pode nem ouvir falar em sair com os amigos pra uma noitada, perdeu a alegria em alguma gaveta e não consegue mais achar, está cabisbaixo(a), com os ombros encolhidos... é, caro(a) leitor(a), you are in serious trouble.
Faça qualquer coisa pra sair dessa (livro de auto-ajuda não vale). Quer uns conselhos? Ame-se, esqueça as desilusões, não se aborreça com os outros, tenha um hobby, pratique um esporte, cuide da sua aparência ou pelo menos faça de conta que é bonito(a)... Não! No seu caso, nada disso vai adiantar!
Eu diria a você nessa hora: - Azar o seu se you are in serious trouble. Não tenho nada com isso, a não ser o fato de estar perdendo o meu tempo com alguém tão sem tempero. É difícil provocar uma reação positiva em quem está com pena de si mesmo(a), achando-se coitadinho(a) no mais belo estilo "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor".
Não pense que o(a) seu(sua) amigo(a) vai agüentar segurar o seu peso depressivo de duas arrobas por muito tempo. Também, convenhamos, um amigo depressivo ninguém merece. Ah, você pensou em procurar uma terapia pra encher os ouvidos do psicólogo com a sua conversinha mole que não liga nada a coisa nenhuma? Também não vai resolver, afinal, você ainda está com pena de si mesmo(a).
Então, o que mais pode dizer pra contra-argumentar a minha falta de compaixão? Vamos, estou esperando! No três eu salto fora. Sei, um remedinho pode ajudar? Aposto que é aquele com tarja preta que dá medo só de olhar e mais ainda de ler a bula. Vai tomar? Tire isso da cabeça, o efeito será temporário e quando voltar ao seu estado de desânimo, ficará com duas arrobas a mais de depressão.
Saia da casca do ovo, por mais que argumente, só depende de você sair dessa. Entendeu? VOCÊ! Não olhe pro lado procurando que alguém o enxergue. Olhe-se no espelho! Lá está a pessoa que poderá ajudá-lo(a).
Se depois de ler isso tudo, o seu desânimo ainda estiver lá nas nuvens, vá às favas! Pelo menos eu sei que conseguirei irritá-lo(a) o suficiente pra provocar uma reação (mesmo que de raiva). E se nesse exato momento esbugalhou os olhos e soltou um palavrão, sinto-me realizada. Consegui o que queria! Releve, eu sou apenas virtual, repito, apenas virtual. Mas se não conseguir relevar e ainda quiser me mandar plantar batatas, pode tecer o seu comentário malcriado aí embaixo, ou então, como um bom(a) coitadinho(a) que é, apenas clique o X no alto da tela. Eu, hein?
Certamente, ao ver e ouvir esta música alguma coisa lhe virá à mente. Seja qual for a sua idade, a que geração você pertence, ela trará alguma sensação, uma lembrança, mesmo que de um tempo muito remoto. Mais do que humanizar, a música personaliza o seu estado de espírito. Ela pode transformar o seu momento em euforia ou lágrimas. O seu estar intimista será o único responsável por conduzir qual lado da balança pesará mais.
Nem o compositor, nem o cantor saberão a amplitude de emoções que atingiram, tampouco o número de corações que sensibilizaram ao compartilharem uma música com o seu público. Você já parou para pensar que existe uma história por trás de cada canção? Que essa história pertenceu a uma única pessoa, com características bem peculiares e nunca será conhecida por ninguém, a não ser pelo seu autor? Porém, ela toma forma própria a cada um que a ouve. Pense, quantas histórias poderiam ser contadas através de uma única música?
Não há explicação lógica para as nossas impressões mentais. De repente, vemo-nos propensos a percebê-las, seja ao abrir um álbum de fotografias da época mais ingênua e doce da vida, ao encontrar uma pessoa que fez parte do passado e ainda invade o seu pensamento nas noites nostálgicas, ou ao ouvir um som harmonioso que se funde com as experiências emotivas da ocasião.
A música nos torna sonhadores, permite-nos voar em pensamento para os mais diversos espaços. Serve para aquela moça que está triste por ter perdido o seu amor, para aquele jovem que está sem rumo, sem caminho, para aquela atriz, esquecida do seu público, ao adolescente que descobriu a paixão, às pessoas que estão desencantadas da vida, aos felizes, que sorriem para o horizonte, ao escritor talentoso e solitário que se encontra sem inspiração, a você que está aí do outro lado lendo este texto.
Os sentimentos que carregamos são só nossos e eles afloram em instantes propícios, por exemplo, quando ouvimos uma bela música como esta. Nem cabe justificar que ela trata das dores que temos, do quanto nos machucamos, que devemos agüentar firme os nossos dias, as nossas noites, ainda que acompanhados da solidão. Tudo dependerá da história que está vivendo e em que capítulo você parou. O importante é não negar as emoções. É preciso vivê-las em todas as suas instâncias para se sentir coberto pela brisa da plenitude. Afinal, everybody hurts sometimes!
Elegância não é questão de nível social, é questão de atitude. É quase uma dádiva. Saber portar-se é tudo. Quem já não se pegou pensando na falta de elegância de alguém? O elegante nato é perfeito do começo ao fim do dia, mesmo sem platéia. É um sujeito cordial, quase amoroso, traz sempre um sorriso no rosto, pede licença para falar, envia mensagens aos amigos em datas comemorativas, responde a todos os e-mails que recebe, jamais dá ouvidos a fofocas no trabalho, não usa perfume além do necessário, é discreto no visual, está sempre com o celular desligado em lugares que exigem silêncio, ouve música no volume mínimo, não desconta nos outros os seus problemas, valoriza o esforço de quem o ajuda, tem postura adequada para cada situação, não é dono da verdade, só opina em questões pessoais se for solicitado e nunca diz: -Você sabe com quem está falando?
O que mais pode ser considerado deselegante? Vejamos: Falar alto é deselegante (dê um voto aos professores), rir alto é pior ainda, tirar os sapatos em público é terrível, saborear um delicioso quindim e lamber todos os dedos (em público) são quinze pontos a menos no quesito "boas maneiras", comer frango frito com a mão, falar de boca cheia, não fechar a porta do banheiro quando está em casa, incentivar concursos de arroto encabeçados pelo chefe da família, falar mais do que ouvir, comentar com a sua amiga que ela engordou, não cumprir com as promessas, gabar-se das suas marcas de roupas, sapatos e carro, não ceder o lugar aos mais velhos, orgulhar-se de ser intransigente...
Vamos combinar, ninguém consegue ser elegante em tempo integral. O comportamento humano depende muito da situação - uma atitude descortês vinda de um pulha qualquer pode afetar as emoções e aí o procedimento habitual de equilíbrio e candura podem ceder lugar aos rompantes desairosos, afinal, ninguém tem "sangue de barata". Claro, você deve deixar o seu lado brucutu e barraqueiro sempre em casa, mas uma pequena dose de "espontaneidade comportamental" de vez em quando não faz mal a ninguém, não acham?
E pra você, o que mais pode ser deselegante? Opine!
O novo filme nacional com a maravilhosa atriz Leandra Leal ainda não está em cartaz por aqui (em algumas capitais já está), mas como sou muito curiosa já pesquisei tudo a respeito do filme, já vi o trailer e muitos comentários sobre essa " narrativa emocional".
Prefiro não opinar antes de ver o filme na íntegra, mas vale a dica.
Na correria da vida, quase nunca paramos para analisar as coisas que realmente são (ou foram) importantes para nós: as histórias que construímos no dia-a-dia. Envolvemo-nos com elas por um determinado tempo e depois, de maneira inexplicável, talvez por razões do próprio tempo ou por desencanto, abandonamos, descurtimos o que até então estava fazendo parte de nós. Somos assim, exigimos a inovação, aquilo que nos encanta, sem questionar se vai durar muito ou se só precisamos de outra novidade para repelir aquilo que nos era caro, atraente.
Pense agora em todas as coisas que abandonou pelo meio: aquele quadro que começou a pintar e jamais será fixado na parede se você não findá-lo, o texto inacabado que escrevia nas noites insones e está perdido no seu computador entremeio a tantos outros, correndo o risco de nunca ser lido por ninguém (a não ser você), o jardim (agora abandonado), com o mato a invadir os seus girassóis de que tanto gosta (ou gostou), aquele amigo que sumiu da sua vida, que tanto o divertia nos dias de chuva e você deixou que ele se fosse, as aulas de música que foram interrompidas pela sua "falta de tempo", a história de amor que você não viveu e de vez em quando lembra com saudade, imaginando como seria hoje se a tivesse vivido com todos as cores que ela prometia. Não importa quem interrompeu o seu trajeto, se a culpa foi sua ou não, o que importa é o que não vivenciou.
Porém, pior do que não concluir alguma coisa, é deixá-la no começo. Não se deu a oportunidade de desenvolvê-la, ampliá-la, aprofundá-la... Essa é pior do que as outras... é uma história sem meio. Sequer chegou a se divertir com ela, nem a valorizou. E se fosse a grande história da sua vida? Uma história que ficou na metade da metade. A parte que poderia ter sido a mais sensata (ou a mais louca), você ignorou.
Sejam coisas materiais, projetos profissionais ou sentimentos abandonados, foi o seu eu que esteve envolvido durante um tempo nesses acontecimentos. Que interessa se foi uma história de meia página ou trezentas?
É preciso pensar nisso vez ou outra e recuperar o que ainda der tempo. Conclua as suas histórias! Dê um final interessante a elas para que não sinta um gosto acre quando recordá-las.
Se preciso for, recomponha-as, repagine-as, não as perca para sempre. Permita-se chegar ao fim da estrada pela qual se embrenhou. Quem pode saber o que o aguarda no final?
Você acorda e logo fala: - Hoje é um dia como todos os outros! Levanta cedo com cara de anteontem; é apenas terça-feira e sabe que vai demorar séculos pro fim de semana chegar, arrasta-se até o banheiro (ainda carregando o travesseiro), olha-se no espelho e leva um susto ao ver aquele carão cansado, esgotado, mal-humorado, com olheiras de duas voltas e acaba se jogando no chuveiro pra ver se opera um milagre.
Mas, você sabe, lá no fundo, que um dia não é igual ao outro. Aliás, o seu dia poderá ser ótimo, ou péssimo, ou muito péssimo. Quer ver?
Será ótimo: se receber uma promoção no trabalho, se conseguir se livrar do vício de roer as unhas (urgh!), se largar o cigarro, se encontrar o amor da sua vida, se descobrir que a sua vizinha (que ouve Calypso) vai se mudar, se ganhar na Mega-Sena, se passar o dia inteiro sem derrubar o celular, se encontrar cinqüenta reais esquecidos no bolso da jaqueta...
Será péssimo: se contar ao seu sobrinho que Papai-Noel não existe e ele abrir o berreiro, se descobrir que está sendo traído pelo amor da sua vida (há seis meses), se a sua unha do dedão do pé encravar novamente, se a calça nova que comprou há duas semanas não entrar mais porque você engordou, se chegar atrasado no trabalho e der de cara com o dono da empresa já de saída...
Será muito péssimo: se você perder o pivô da frente bem no meio de uma entrevista para a tv local, se vomitar dentro do carro do seu melhor amigo, se pisar no cocô do cachorro com o tênis novinho e só perceber isso quando estiver dentro do consultório médico...
Viram? Definitivamente, cada dia pode ser bem diferente pra cada um de nós. É só questão de analisar... E aí, quais serão as surpresas que o dia lhe reserva pra hoje?
Quase tudo pronto para o Carnaval. Fantasias coloridas pelos cantos do quarto e muita purpurina derramada pelo chão. As ragazzas de D. Ambrosina estavam ansiosas para o grande acontecimento de quatro dias na pequena Paraíso que, quando muito, encorajava um matinê a cada três meses. Novidade por ali, só mesmo de noivado e de morte. Convite então, só para casamento ou enterro.
D. Ambrosina, a chefe-mor da pequena famiglia Gustadella, vinda da Sicília há muito tempo, andava desgostosa da saúde a suspirar na janela, queixando-se das dores às vizinhas que hora ou outra contorciam o pescoço para o seu sobrado. Tinha uma vida arrestata, de viúva condoída, com três filhas moças, que só pensavam em casar para livrar-se da matrona que tinha um gênio muito adiante de ruim, principalmente quando acordava com dores nas costas por uma noite mal dormida.
Era mais ladina que doente. Chegava a ensaiar espasmos quando as filhas cismavam de saírem juntas para passear na Praça do Chafariz. As dores nos pés, aliviadas com massagens pela filha mais nova, provinham dos quilos a mais há muito tempo esquecidos naquele corpanzil de setenta e oito anos, regado a banha de porco na fritura, macarrão com molho à bolonhesa (herança da família italiana) e uma taça de vinho para a digestão.
Catarina, Cecília e Cininha engoliam a seco o comportamento da mãe que, embora transbordante de defeitos, era respeitada sem nenhuma restrição. Porém, os dias iam passando e a vecchia a reclamar de dores no corpo. A irritação começou a ganhar peso e medida para Cininha, a mais novinha e irascível das três. Queria dar fim aos enfeites das roupas para a folia e se via impedida a cada massagem que tinha de executar nos pés avolumados e malcheirosos da madre siciliana. O único refúgio era correr para a casa de D. Dondoca, a vizinha, que até ajudava nas traquinices para engambelar a matrona engordurada e mandriona.
O dia do baile chega e a correria é grande na casa da mama grassa que, no meio da tarde, começa a passar mal, contorcer-se e a pedir socorro. Apesar da falta de crédito das figliolas, Catarina assustou-se quando a velha estabacou-se no chão e foi um Deus nos acuda para suspendê-la até a poltrona. Chamaram o médico, tarde demais. Por ironia do destino, a ansiani passou desta para melhor na boquinha da noite, justamente no primeiro dia do grande baile de carnaval há tanto tempo esperado, sonhado e confirmado pelas autoridades paraisienses que agora se viam impedidas de balançar o esqueleto por via e obra de D. Ambrosina.
Direto para o salão de beleza corre Cecília para dar a notícia à Cininha, que novamente engole a seco mais essa da adiposa matrigna. Com os cabelos a meios cachos e a cara borrada de maquiagem de odalisca, a pobre menina vai andando a passos largos pela rua, lamentando o dia e a hora da velha subir aos céus.
Se a coisa não tinha iniciado bem, o desalinho continuou e o caldo entornou mesmo quando tiveram de trocar de caixão por duas vezes com o corpo já lá dentro, não por conta da matéria sebácea que ali se encontrava, mas do inchaço da inconveniente signora que parecia querer explodir. Finalmente, tiradas as medidas definitivas, a defunta alinhou-se no novo caixão com seu vestido de domingo e um belo rosário nas mãos, que sumira algumas horas depois por canalhice de alguma alma medonha que se encantara pela relíquia.
D. Dondoca, assim que chega de Ouro Verde, a cidade vizinha, corre para a casa da falecida nem percebendo que trocara os tamancos; um vermelho no pé direito e outro amarelo no pé esquerdo. Este aliás, foi mais um motivo de piada naquele dia sinistro. Cininha, desorientada pelo ocorrido, ostentava duas olheiras escuras conseguidas pela maquiagem de odalisca, com rímel que escorria até o queixo, tudo isso misturado às lágrimas que não se sabe bem se eram de rabbia ou de dolore. O que se sabe porém, é que a menina tão bonitinha parecia ter saído de um filme de terror. Só faltava o penhoir da personagem do filme Poltergeist.
Com a chuva torrencial iniciada pela manhã, os transeuntes formaram um carreiro de lama na entrada da casa, o que dificultou, algumas horas depois, a saída para a igreja, já que dois dos voluntários a carregar o féretro, atolaram-se e tiveram de ser substituídos em pleno dilúvio. Foi trágico, já que não pôde ser cômico.
Com o primeiro dia de carnaval cancelado e todas as honras religiosas cumpridas, seguiram todos para o cemitério, acompanhados da chuva que insistia em se fazer presente. Foi aí que o pior aconteceu. Com a cova cheia d’água, não havia meio de enterrar a defunta, que descia e emergia com o caixão já enlameado e balançando de um lado para o outro. Duas ou três tentativas e nada; lá vinha D. Ambrosina para a superfície. Já não se sabia se o momento era de pranto ou de riso, o que se percebia era gente a sair correndo rumo ao portão do cemitério para se desfazer em gargalhadas, tamanha a hilaridade da cena. Mas, à custa de paus e pedras, empurrões e safanões, os presentes, já impassíveis com a situação bizarra, conseguiram segurar D. Ambrosina lá embaixo, enquanto o coveiro dava cabo da situação.
Assim que o enterro acabou, a chuva parou e acendeu a esperança dos jovens corações de Paraíso. Iniciariam os festejos carnavalescos. E foi o que aconteceu. A juventude paraisiense soube, pela boca do próprio prefeito, que o baile aconteceria. O que não se contava naquele momento é com o destino, que já havia se divertido com fatos suficientes para se explodir em risos por meses. E se ele continuasse brincando com o povo da cidadela?
Quem chegou à conclusão dos fatos divertentes foi Cininha. Primeiro, o dia que a mãe escolhera para morrer, depois, o episódio da troca dos caixões, seguido dos tamancos de D. Dondoca. Ainda vieram o roubo do rosário e o atolamento dos dois homens na frente da casa. E, para fechar o folguedo, a mama submergindo e ressurgindo na cova, tornando a sua morte um fantástico conto humorístico para muitas gerações.
Como se não bastasse a narrativa enfadonha da mais novinha das filhas que se lamentava por não poder mais brincar o carnaval, é surpreendida por D. Dondoca, que chega aos gritos para anunciar a novidade: - Meninas, vocês não imaginam o que aconteceu. A mãe do Presidente do Clube Paraíso, D. Emerenciana, acabou de falecer. Estava aí o sétimo fato hilário que tornaria o carnaval de Paraíso inesquecível para todo o sempre. Amém!
Conversa entre o pai e o filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo. - Foi assim que tudo aconteceu, meu filho... Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo. - E aí, Papai? - Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela... Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite" eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "o regime". - E vocês? Não perceberam nada? - Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem. Aí, veio o golpe mundial !? Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente... Como era mesmo o nome dele? William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo... - Tudo bem, Papai. Não tem importância. Continue... - Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona... - Pai, conta mais... - Bem filho... O resto você já sabe. Instituíram o Robô-Troca-Pneu como equipamento obrigatório de todos os carros... a Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho... E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês... - TPM ??? - Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear.... - Sinto um frio na barriga só de pensar, pai... - Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...
(Luís Fernando Veríssimo)
Eu não poderia deixar de colocar este texto de um dos meus escritores preferidos. E, aproveitando a ocasião, já que o assunto permite, segue abaixo um adendo. Divirtam-se!