O que me irrita em você (?)

 

 

A questão da individualidade é um tema bastante complexo. As pessoas se diferem em personalidade, estilo de vida e comportamento. Nem todos aceitam determinadas regras ou imposições da mesma maneira. Costuma-se dizer que pessoas que repelem ou reagem negativamente a certas atitudes comuns ao coletivo são tidas como mal-humoradas e mal-educadas. 

 

Fomos educados para viver em sociedade de maneira amigavelmente tolerável e harmoniosa. Porém, ocorrem determinadas situações que não se alinham com o nosso modo de pensar, ocasionando possíveis conflitos frente à espontaneidade das nossas reações. Espera-se sempre um comportamento padrão, mais ou menos do tipo “calar e consentir” para se evitar problemas de relacionamento.

 

A vida não é uma via de mão única e, se todos compreendessem que temos, sim, o direito de discordar quando algo entra em choque, alcançaríamos, talvez, maior amplitude nas relações a que somos submetidos. Mas, infelizmente, não é esse o pensamento da maioria, haja vista tantos cursos e palestras sobre Relacionamento Humano, pautados no tema da relevância como base para o “sucesso” do nosso convívio social.

 

Irritam-me pessoas que falam sem parar, que contam todas as suas mazelas diárias, que se sentem vítimas dos imprevistos, que invadem a vida dos outros com perguntas diretas, que enviam mensagens incentivadoras como se estivéssemos precisando de força externa para nos mantermos vivos, que elogiam os filhos sem parar como se fossem os únicos seres do planeta, que têm resposta para tudo e, principalmente, que se acham donas da verdade, não permitindo outras versões de pensamento.

 

Irritam-me pessoas que dão conselhos e esperam que tenhamos a conduta X para algo que só a nós diz respeito. Exigem que ajamos de acordo com a multidão: se todos gostam de verde, não temos o direito de nos vestirmos de amarelo e, se o fizermos, somos tidos como prepotentes, individualistas e polêmicos.

 

Irritam-me pessoas contraditórias e alcoviteiras, que dizem "fazer e acontecer" e, no frigir dos ovos, tomam o partido da massa. São esses, aliás, os indivíduos que menos merecem a nossa confiança, pois agirão de acordo com o andar da carruagem e não com o que esbravejam ao vento para quem quiser ouvir.

 

É por causa da nossa própria inoperância frente a esses indivíduos que temos que tolerar conversas inconvenientes, visões equivocadas e atitudes invasivas. A questão da individualidade deveria ser levada mais a sério pelas pessoas para que não houvesse tanta padronização nos comportamentos. Reagir ao que nos causa irritação nada tem a ver com mau-humor, egoísmo ou falta de educação. Se o relacionamento humano é uma faca de dois gumes, por que insistimos em utilizar sempre o mesmo lado?



Escrito por ARIANA às 11h56
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O Nosso Ideal de Amor

Na verdade, o amor que procuramos é o amor romântico, aquele que nos completará em todos os sentidos. Idealizamos uma vida em conjunto pautada na fusão e não na aproximação de dois corpos. Queremos nos integrar a alguém de tal forma que as vontades sejam as mesmas, os pensamentos e a visão de mundo estejam em perfeita sintonia, como se individualidade não existisse. É claro que, com o passar do tempo, percebemos que isso tudo não passa de teoria. O amor vai perdendo, sim, um pouco do seu brilho frente às adversidades do dia-a-dia ainda que não perca a essência. Então, nessa hora, começamos a questionar sentimentos e atitudes tanto nossas quanto de quem está ao  nosso lado.

O amor possui várias caricaturas e pode ser confundido com outros sentimentos. Se necessito desesperadamente de alguém, isso não é amor, é carência; se me entrego de corpo e alma a essa pessoa, isso também não é amor; é paixão. E por termos, geralmente, uma visão egoísta nos relacionamentos, acabamos por nos decepcionar quando as expectativas (leia-se, desejos) que depositamos no outro não nos satisfazem em plenitude. Não temos exatamente uma preocupação com o ser amado, mas sim com o que ele pode nos proporcionar. Não temos a intenção de completá-lo, mas sim de nos sentirmos completos. Daí, o desencanto, o afastamento e a insegurança em relação ao que de fato sentimos pelo outro.

O nosso ideal de amor é unilateral; é preciso, portanto, ter sensibilidade para adequá-lo e fazê-lo perdurar no avançar dos dias com aquela pessoa que entendemos ser a que está mais próxima das nossas aspirações sentimentais. É aquela que nos compreende e quer ser compreendida; que não se coloca acima em exigências e tão pouco se doa; que consegue entender o significado real da palavra “compartilhar” e que, mais importante que tudo, está disposta a dividir todas as emoções, até as mais simples. Se o nosso amor não fosse tão idealizado, entenderíamos que a razão comunga com ele em todos os aspectos, muito mais do que os desvarios frenéticos que tanto buscamos em um relacionamento.   

E para provar que o nosso amor é idealizado, ouça essa bela música do meu querido Frejat.



Escrito por ARIANA às 13h30
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E aí? Vai de Trash, Kitsch ou Cafona?

 

Merece um prêmio quem nunca teve uma atitude cafona na vida. Seja em que sentido for, o fato é que já nos deparamos, sim, com atitudes e gostos que mereciam ser repensados antes de serem expostos ao mundo. Somos o que mostramos e tudo fica na memória. Hoje em dia é constrangedor relembrar certas bizarrices de que fomos adeptos em tempos idos e que, de certa forma, embelezaram a nossa vida por motivos questionáveis.

Ainda que o tempo passe e o comportamento modifique, quem já se  esqueceu do pinguim que enfeitava a geladeira, das roupinhas de plástico que vestíamos no liquidificador, na batedeira e no botijão de gás, das toalhinhas de crochê que colocávamos em cima da televisão e pela sala toda, dos cabelos que encharcávamos de gel nos anos 80, das polainas coloridas que usávamos aos montes em pleno verão sem a menor noção de ridículo?

O tempo passou, mas muitas pessoas continuaram com o mesmo comportamento e até adaptaram outros persistindo no quesito “originalidade”. Ser cafona não é tão simples assim - é preciso ter mau gosto (ou ser desprovido de gosto) seja no trajar ou nas coisas do cotidiano. É insistir em um estilo de vida que difere da maioria. E, acima de tudo, é preciso ter coragem para assumir certas tendências duvidosas ao senso comum.

Cafonice não tem limite, não comunga com sutileza. Assim como ser kitsch, é pecar pelo exagero. É não possuir tenuidade para perceber o que pode constranger o outro. Sim, a cafonice é invasiva  pode comprometer quem está ao nosso lado. Portanto, nunca pense em chegar de helicóptero em uma festa, colocar torneiras de ouro pela casa ou enviar mensagens musicadas em datas comemorativas. Isso tudo é o cúmulo da cafonice!

Pensando um pouco mais sobre esse tema, resolvi fazer a minha lista de coisas (tendências) que considero cafona, kitsch ou trash demais, a ponto de descambar para o absurdo. Lá vai:
- Ouvir as músicas, missas e orações do Padre Marcelo no último volume;
- Fazer tatuagem tribal ou de time;
- Ter objetos e adereços de time espalhados pela casa;
- Presentear os amigos com santinhos que trouxe de Aparecida do Norte;
- Usar roupas, acessórios  e sapatos de oncinha;
- Usar qualquer coisa de oncinha;
- Trocar de celular a cada três meses;
- Enviar correntes, fw e afins (por e-mail), de uma só vez, para todos os amigos;
- Chamar as amigas de “miga”;
- A cada três palavras, dizer “tipo”;
- Usar unhas postiças ou decorá-las com diferentes tons de rosa ou vermelho;
- Ir a festas juninas vestido de jeca e se achar o máximo;
- Homens que usam pochete e sandália franciscana;
- Homens que usam papete (Eca!);
- Mulheres que só sabem falar de perfumes, marcas de roupa e acessórios;
- Mulheres que só sabem falar;
- Mostrar a casa toda quando recebe visita;
- Usar botas de camurça (cano alto) com salto plataforma de borracha;
- Mostrar o cofrinho quando está usando uma calça de cintura baixa;
- Guardar papeis de presente (usados) em cima do guarda-roupa;
- Usar quilos de correntes e pulseiras de prata;
- Achar que música instrumental é jazz;
- Comer melão com presunto em restaurantes chiques só porque é chique.

Ser cafona não é exatamente um anacronismo. É levantar bandeira, abraçar uma causa, bater no peito e mostrar ao mundo que não se importa com idiossincrasias alheias. Portanto, desde que essa liberdade comportamental não interfira nas relações, nada há para se envergonhar. O que é trash, cafona ou kitsch para um pode ser chiquérrimo e prazeroso para outro. O importante é ser feliz! Mas sem flores de plástico em cima da mesa, por favor!

E pra você, o que é cafona?

 



Escrito por Luciana às 13h26
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Fragmento II

Hoje algumas palavras se quebraram;
Preciso encaixá-las novamente, uma a uma, com cuidado, para não perdê-las de uma vez;
Preciso recompô-las para libertar o meu espírito.
As minhas palavras não pretendem ferir nem ter o peso de uma verdade;
Não são códigos indecifráveis nem angústias despropositadas.
Elas apenas procuram respostas para perguntas obscuras...
Mas hoje elas estão em silêncio: disformes; adormecidas; espalhadas sobre a mesa; sem movimento...
Este silêncio, hoje, fala por mim.



Escrito por Luciana às 18h00
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Falando outra Língua

Sinceramente, há coisas que me acontecem que não consigo entender. Por mais que eu me esforce e gaste os meus neurônios à procura de respostas, às vezes, penso que forças astrais conspiram contra mim. Como todos sabem, tive síndrome do pânico há quatro anos e, desde então, não dirijo mais. A consequência disso, claro, é andar bem mais de ônibus do que de carro. E foi aí que tudo aconteceu.

Entro eu, quinta-feira passada, em um Amarelinho (micro-ônibus que para em qualquer ponto do percurso) para voltar para casa do trabalho, no meio da tarde, mais precisamente às 15h30min. Pelo fato de ser um micro-ônibus, os assentos são bem menores que os de estilo padrão, e as pessoas precisam se ajustar a essa realidade.

Sento-me ao lado de uma moça que imediatamente me olha com curiosidade e parece ver em mim alguém que ela conhece. O tempo começa a correr, e a insistente mariposa continua a me olhar. Isso me causou desconforto já que nunca a tinha visto na minha vida. Quilômetros rodados e nada de ela parar de me olhar. O motorista freia repentinamente e a ouço balbuciar uma frase qualquer que não entendi e nem fiz questão de entender. Eu já estava a ponto de sair dali, mas o micro estava cheio e não tinha para onde ir. Em pé não se pode ficar; o recurso foi seguir ali mesmo.

Comecei a suar frio exatamente no momento em que ela encostou a perna esquerda na minha perna direita. Entrei em pânico! O que fazer? Tirar a perna, claro! E foi o que eu fiz: espremi uma perna na outra o mais que pude para que o fato não ocorresse novamente. Eu parecia uma múmia, sem fazer um único movimento. Só que ela, a dita cuja, estatelou-se comodamente no assento passando uns dez centímetros para o meu lado.

É nessa hora que eu sempre perco a razão e deixo a ira tomar conta. Não posso ser contrariada: esqueço educação, civilidade, diplomacia, seja o que for e obedeço logo ao meu lado brucutu. Olhei para ela e não disse nada, apenas a encarei com ares interrogativos para que se tocasse. Pensei em perguntar: - Por que me olhas tanto? Mas não tive coragem. E sabem o que aconteceu? Enquanto eu a encarava, ela deu um meio sorriso (daqueles bem sacanas), mordeu os lábios como que passando uma mensagem e me contemplou da cabeça aos pés, pousando os olhos no meu decote. Aí eu entendi tudo! 

Não tenho nada contra preferências sexuais de ninguém, mas rosa com rosa não é a minha praia. Definitivamente, não! Gosto de azul. Desconheço essa língua e nem pretendo conhecer. Tive que me privar da paisagem, da espontaneidade e do direito de ficar à vontade por conta de alguém que resolveu cismar comigo. Por algum motivo que eu não entendi, essa pessoa sentiu-se encorajada a ir adiante em uma investida frustrada. O trajeto, que já é longo, parecia não ter fim e, quando finalmente cheguei, ela ainda parecia encantada com a minha presença.

Saí correndo sem olhar para trás e me arrependi de ter comentado isso com as minhas amigas, pois virei motivo de piada. Confesso que não vi graça nenhuma. A conclusão que tirei desse fato é que as pessoas não sabem ler as outras. Só deve haver investida se houver reciprocidade, caso contrário, é invasão, é desrespeito. Porém, curiosa como sou, fiquei aqui pensando com os meus botões: o que será que a levou a me olhar daquele jeito? Eu, hein!



Escrito por Luciana às 20h20
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 A Vida é um Cubo Mágico

Existe apenas uma idade para sermos felizes, apenas uma época da vida de cada pessoa em que é possível sonhar, fazer planos e ter energia suficiente para os realizar apesar de todas as dificuldades e todos os obstáculos. Uma só idade para nos encantarmos com a vida para vivermos apaixonadamente e aproveitarmos tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que podemos criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, vestirmo-nos de todas as cores, experimentar todos os sabores e entregarmo-nos a todos os amores sem preconceitos nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que toda a disposição de tentar algo de novo e de novo quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na nossa vida chama-se presente e tem a duração do instante que passa. (Mario Quintana)

 

Todos nós temos uma biografia secreta. Aquela que ninguém conhece. Não fará parte de um livro, está protegida dentro de nós e ninguém terá acesso. É como se houvesse um mundo dentro de outro e um deles possui senha e é bloqueado para visitantes. É aquela parte do caminho em que preferimos seguir sozinhos, sem companhia, em silêncio absoluto, desfrutando cada detalhe do enredo que construímos.

Estamos sempre descobrindo o que queremos esconder. E essas pequenas partes são preciosas; não há que se dividir com os outros. Elas pertencem ao nosso eu interior; não precisam ser expostas à apreciação e julgamento alheio. É como se a vida fosse um cubo mágico, com infinitas possibilidades de combinações. Porém, aquelas que só nós conseguimos criar, devem ser guardadas do mundo para que não percam a essência.

Sempre estamos buscando no dia seguinte uma chance para nos sentirmos satisfeitos com a vida. Queremos que, de repente, algo aconteça de bom e nos encha de alegria. Se o hoje não está a contento, por que seria amanhã o dia de sorrir? O que estamos fazendo neste momento, que possibilidades estamos criando para que a plenitude se aproxime? Se o problema está nos outros, não seria hora de se afastar um pouco e descobrir o que está errado? Será que o erro não é nosso?

Ninguém nos completará em plenitude. Temos dias de sonhos e noites de pesadelos e isso pode não coincidir com os mesmos dias e as mesmas noites de quem está conosco. Não é porque estou para lágrimas que a pessoa ao meu lado deverá chorar também. As minhas combinações podem não estar no mesmo ritmo das combinações do outro. Por que querer conduzir os passos em dupla se a música atual tem uma nota só?

Viver é uma necessidade. Se feliz ou triste, é apenas um detalhe. A questão é ser coerente com as expectativas: não se pode procurar pelo azul quando se está tentando encaixar o vermelho. É preciso apagar histórias mal vividas para poder estampar um novo quadro na parede. E mesmo que isso leve muito tempo, faz-se necessário descobrir o que o atormenta e o que o faz feliz de fato, o que o inibe e o que o encoraja. A partir disso, é expandir as suas fronteiras para um único alvo.

Somos sós. Somos únicos. Ninguém consegue partilhar das mesmas emoções o tempo todo. Temos as nossas preferências, os momentos ruins que destoam da história que, de repente, estamos vivendo. E já que somos enigma, não devemos esperar que o outro entenda o nosso presente desajuste. É uma viagem desconhecida que pode ter curta ou longa duração. Quem pode prever que o campo em que estamos pisando não está minado? Não se pode depositar sonhos e planos na vida que não lhe pertence. Cada um tem a sua história e só deverá dividir o que houver para ser dividido. Há uma parte que é só nossa.

Escreva a sua vida de acordo com a vontade presente. Simule-a se for preciso, dê a ela todas as possibilidades, descompromissando-a de simetria. Dramatize, romanceie, satirize, atinja o topo sem se cansar muito. Não seja flexível demais para não se perder e não tente tirar da cabeça aquilo que está no seu coração. Nunca se culpe pelos erros que cometeu; você pode melhorar a pontaria da próxima vez. E não esqueça que do azul e do amarelo surge o verde. Quer cor mais bonita do que essa?



Escrito por Luciana às 14h16
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Prenúncio

A alegria e a tristeza podem andar unidas, não são como

a água e o azeite" (José Saramago)

Tristeza, por que me pegaste? Eu fui quase perfeita! Sempre fiz a minha parte! Disse as palavras certas, dei o sorriso esperado, escondi as lágrimas de todo mundo e disfarcei a angústia das tardes de sábado com esboços que desenhei para o meu rosto. Por que apareceste logo agora que aquele sonho estava quase concretizado, a esperança de dias melhores estavam iluminando os meus olhos e as tardes de domingo pareciam compensar o peso da semana. Onde foi que eu errei? Por favor, me diga! Eu juro que tentei mostrar o calor dos meus braços, a ternura do meu beijo, a pureza dos meus sentimentos. Como chegaste de repente?

Talvez eu tenha dito as palavras certas às pessoas erradas, ou quem sabe elas tenham saído mudas. O capítulo da história não foi bem escrito? Errei na escolha da música? Esqueci-me de olhar de frente para a minha realidade? Sonhei demais? Por que vieste aqui com este breu nebuloso para sabotar as minhas ilusões? Até ontem estava tudo maravilhoso e nem tinha me dado conta de que já estamos no outono. Eu não mereço essa letargia que tu trazes nos ombros e descarregas nos teus escolhidos. Paraste para pensar que o final tem que ser feliz e sem lágrimas? Por que essa predileção por tornar os dias alheios sombrios e destemperados?

Eu sei, vais dizer que alimentei a minha alma com migalhas de emoções e não fiz da minha vida algo admirável do qual pudesse me orgulhar. Não guardei reservas para o imprevisto e tive a ingenuidade como companheira. Na construção do meu enredo, fui o máximo nas primeiras páginas, mas me perdi na condução dos personagens que chegaram mais tarde. Que importa onde eu errei? Preciso que saibas; tu és uma anomalia neste momento! Eu não te quero por perto e nem tentes subir os degraus para te instalares nas paredes que dividem comigo todas as minhas expectativas. Lembro-me agora de que houve uma tristeza uma vez e fiquei olhando por um bom tempo por trás da cortina. Mas os tempos são outros e mereço mais do que a clausura de espreitar a vida pelo lado de dentro.

Não! Eu não vou me curvar a ti! Tampouco descerei os braços para descansá-los entre as pernas. Tu és o muro entre o meu presente e o jardim que me aguarda do outro lado. Chegaste muito cedo. Nem ao menos tive tempo de contemplar as flores que exalam aquele perfume que um dia senti. O meu riso hoje está irônico e soa falso. Até me lembrei daquela canção que eu costumava cantar na primavera quando estava de saída para um passeio. Ela falava de sonho, de sol, de vida, de mar, da emoção que se sente quando o coração se pega apaixonado. E no final, ela fala de saudade, mas é uma saudade boa, que rememora um tempo bom. Lembrei-me também da caixinha de música que eu ouvia na adolescência. Abria e fechava muitas vezes interrompendo a melodia para começar tudo de novo, assim como a gente faz quando quer retomar uma história, consertar uma fala, começar do zero, como se fosse possível apagar dores e lágrimas.

Por que me pegaste hoje? Não gosto das tuas características, do teu cheiro de pó, da tua energia vazia, mas que pesa toneladas. Não consigo ouvir a tua resposta se ficas ou vais embora de uma vez. Não sejas dissimulada. O dia está clareando e preciso atar os nós da minha nova história, e ela não combina com a tua presença. Sim, eu quero o dia seguinte e outro também. Uma nova bebida, um outro cais, um porto, um barco, um céu com poucas nuvens. Quem sabe o friozinho de agosto caia melhor que a aspereza de maio. Abandona-me agora! Sai de leve e não voltes mais aqui, vai sem barulho nem sombras. Se a solidão é ausência, prefiro ficar com o nada.



Escrito por Luciana às 17h50
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Nem tão simples quanto João e Maria

Certamente, quando se trata de nome próprio, é preciso pensar bem antes de cometer uma atrocidade. Devemos considerar que essa atitude poderá comprometer algo ou alguém para o resto da vida. No caso de uma empresa ou de uma página virtual, o quesito criatividade é de suma importância, porém se a seleção refere-se à pessoa, é necessário ter o mínimo de coerência para não ocasionar traumas futuros àquele que não teve chance de escolha. Qual seria a sua reação se alguém lhe dissesse que se chama “Clarisbadeu” , “Ubsclendes”, “Telésforo”, "Urinoldo" ou “Terebentina”? O riso é inevitável, e a “vítima” acaba por se sentir constrangida cada vez que precisar verbalizar publicamente a esquisitice à qual foi presenteada.

É impressionante a quantidade de nomes “exóticos” que temos por  aí, dignos de pertencerem a listas de bizarrices espalhadas por vários sites de humor. E não são só pessoas anônimas que engrossam essas listas dando nomes “diferentes” aos seus rebentos; as ditas celebridades aí estão para provar que gosto não se discute e pronto. É claro que, em se tratando de gente famosa, há certa condescendência ao exagero, incorrendo até em elogio pela “originalidade”.  Veja o caso da atriz estadunidense
Shannyn Sossam que deu ao bebê o simplório nome de “Audio Science”. Em termos de comparação, “Zabelê”, “Sarah Shiva” e “Nana Shara”, nomes das filhas da nossa querida Baby do Brasil até que ficaram graciosos, vocês não acham?

Ser filho de celebridade é um perigo iminente já ao nascer, pois corre sério risco de  não ser apenas um inocente bebê que vem ao mundo, mas sim, o bebê. O casal David e Victoria Beckham que o digam na escolha dos nomes dos moleques “Cruz” e “Brooklyn”. Pelo menos o “Romeo” se salvou. Fico aqui a me perguntar: com tanto nome bonito e interessante, qual é o motivo para tanta discrepância? Será mesmo que é para parecer diferente? É. É claro que é. Celebridade que se preza tem verdadeira ojerija a lugar-comum. Por que registrar um simples John ou Mary se “Moon Unit” (filha de
Frank Zappa), “Pilot Inspektor” (filho de Jason Lee) e “Apple” (a maçãzinha da atriz Gwyneth Paltrow) são bem mais sonoros, não é mesmo?

E já que estou falando de originalidade, eu não poderia deixar passar incólume os nomes dos filhos do cantor Michael Jackson: o primeiro chama-se “Prince Michael Jackson”, e o segundo, “Prince Michael Jackson II”. Quer algo mais previsível e sem graça do que isso? Mas a lista de nomes esquisitos não para por aí, o que terá passado pela cabeça do ator Forest Whitaker para dar à filha o nome de “Ocean”. Bom, se considerarmos que ele próprio se chama “Floresta”, nada mais natural que continuar a tradição familiar, não concordam? E já que falei em natureza, Brooke Burke sentenciou as filhas a inofensivas nomenclaturas de "Sierra Sky" (Céu da Serra) e "Heaven Rain" (Chuva do Paraíso) e Nicole Kidman aproveitou o nascimento da filha para colocar a sua criatividade em ação. "Sunday Rose" (Rosa de Domingo) é o nome da sua princesinha.

Saindo do mundo dos famosos e voltando ao nosso mundo real, lembrei-me de alguns casos que cabem aqui ser registrados: a empregada da minha mãe que atendia pelo singelo Bonnicleyde; um rapaz que conheci na adolescência que se chamava “Chanaveco” (sim, ele era complexado e falava muito baixo), e um nome que vi outro dia, no Orkut": Eustorgésilio" (consegue pronunciar?). Ah, mas a melhor de todas é a história de uma moça, coitada, que se chamava “Avagina”. Ao ser perguntada sobre o porquê de tamanha bizarrice na escolha do nome, ela argumentou que foi uma homenagem da sua mãe às atrizes Ava Gardner e Gina Lollobrigida.  Francamente, essa matrona que me perdoe, mas merecia morrer. Ou não?


E se você estiver a fim de se emocionar, leia a minha "Carta a um Amigo", republicada no Perfume de Afrodite II. Mas não se esqueça de pegar o lenço.



Escrito por Luciana às 15h44
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 ... com a sua urucubaca!

 

Hahahahaha! Peguei vocês! Eu queria dizer que este blog está em via de acabar... com  a sua urucubaca, se é que você está com uma. Prepare-se e leia tudo com atenção. Caso nada disso dê resultado, não me culpe. O que vale é a intenção. Também não precisa se matar; para tudo na vida há uma solução. Desculpem a brincadeira, mas não resisti.

 

Sim, tudo está errado. Há muito tempo as coisas não têm dado certo para você, e aí chega aquela fatídica hora em que se começa a pensar em forças do além. Isso se chama “urucubaca”, meu amigo. São energias ruins conspirando pela sua derrocada. Mas estou aqui para ajudá-lo a tranformar os seus dias de urubu em novos tempos de beija-flores pousando na sua janela. Fui buscar a solução a milhares de quilômetros daqui,  junto aos aborígenes tasmanianos de sangue real que ainda mantém vivo e forte os sagrados princípios do “Xô, Urucubaca”. Sinto-me preparada para ajudá-lo a atravessar essa má fase e você começará a enxergar aquela luzinha no fim do túnel (mas certifique-se de que não é um trem).

 

O caldo entornou faz tanto tempo que você já está até acostumando com o azar. Pequenas tragédias já não alteram mais o seu humor, afinal, o que é um pingo para quem está molhado, não é mesmo?  Já nem tem mais a sensação de que acordou com o pé esquerdo e sim com os pés, as mãos e os braços atravessados. Perder o emprego, a namorada, quebrar o carro e ser multado três vezes no mesmo mês são pequenas mostras da sua falta de sorte. Você já tentou de tudo, desde andar com um galho de arruda atrás da orelha até acender vela no cemitério à meia-noite, na sexta-feira, 13. Encontra-se tão suscetível a inovações para espantar com o azar que está até aceitando plantar bananeira com uma vela na boca.

 

Acalme-se! Basta um pouco de fé e persistência que tudo dará certo. Nem pense em tomar banho de descarrego com sal grosso, pois o máximo que conseguirá é ficar salgado. O seu caso é bem mais grave e requer empenho redobrado para se ver livre das forças astrais negativas que baixaram no seu cangote e resolveram fazê-lo de lar. Primeiro você precisa ter pensamento positivo. Comece o seu dia dizendo novecentas e noventa e nove vezes a frase: “Sim, eu posso! Depois, pegue todo o seu apetrecho de amuletos e coloque no bolso esquerdo. Se não couberem todos, use o bolso de trás também, mas lembre-se, precisa ser o esquerdo. Não se incomode se começar a pender mais para um lado do que o outro ao caminhar. O máximo que vai acontecer é virar motivo de piada de quem o vê. Então vamos às simpatias:

 

Se você perdeu o emprego:

Ao meio-dia em ponto, vá em sete igrejas e reze sete orações diferentes em cada uma delas. Não reclame, você está desempregado e tem muito tempo disponível. Peça a  Santa Edviges (a protetora dos endividados) que lhe arranje um emprego. Mas não se esqueça de, no domingo, comprar o jornal e ir direto aos classificados. Aconselho que você pegue qualquer coisa, pois a Santa não é preconceituosa, não é mesmo?

 

Se a sua namorada o abandonou:

Num dia chuvoso de julho, de preferência no dia 13, tome aquele banho de sal grosso, vista-se de branco, coloque um galho de arruda atrás da orelha direita e acenda um charuto baiano. Em seguida, pegue o telefone com a mão esquerda depois de morder o nó do dedo três vezes, disque o número da sua namorada e marque um encontro. Se ela não topar, a única maneira de vê-la novamente será dando três voltas pelado pelo quarteirão, gritando : - Fulana, eu te amo!. Ela ficará com tanta pena de você que irá visitá-lo na prisão.   

 

Se o seu carro quebrar cada vez que você sai com ele:

Acenda uma vela e ponha dentro da geladeira. Caminhe em movimentos circulares até achar que a casa está girando e não você. Peça ajuda a São Cristóvão dos Azarados e torça para a vela não apagar lá dentro. Faça isso sete vezes à meia-noite. Se não der certo, aconselho que você compre um carro novo.

 

Se estiver com olho-gordo:

Pegue toda a parafernália de amuletos que você tem nos bolsos: figa, meia-lua, elefante, fita vermelha, cristais, pé de coelho e até os sete grãos de uva que guardou na virada do ano e leve para o padre benzer. Se ele se recusar, roube a água benta que fica na entrada da igreja e faça você mesmo o serviço. Caso não funcione, construa um vaso de 7 Ervas contra o mau-olhado: plante arruda (Ruta graveolens), comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia sp.), trevo-de-quatro-folhas (Oxalis deppei), pimenta (Capsicum annuum), espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata), manjericão (Oncimum basilicum), alecrim (Rosmarinus officinalis) ou guiné (Petiveria alliacea). É importante que você converse com essas plantas todo dia chamando-as pelos nomes científicos, pois elas não gostam de apelidos.

 

Se você não obtiver resultado com nenhuma dessas simpatias tasmanianas, matricule-se no centro de dança abaixo (no vídeo) e aprenda a balançar o esqueleto com a dança ritualística "Sai, Azar". Pelo menos, poderá soltar todos os bichos adormecidos em você. Ah, e não se esqueça da gritaria durante o ritual, que é para exorcizar os demônios que estão presos no seu cangote. E Boa-Sorte!

 



Escrito por Luciana às 09h47
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Comunicado

Este blog está em via de acabar...



Escrito por Luciana às 08h04
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A Morte do Amor

 

O Amor, esse signo indecifrável, pode morrer aqui! Agora! Daqui a segundos! Amanhã! No mês que vem! Em setembro! Um dia antes da primavera! E ele morrerá com a mesma velocidade com que chegou. E por mais que se debata, será uma morte simples como num abrir e fechar de olhos. Ele pode acabar ao virar a esquina, ao olhar para o lado, após uma taça de vinho, no meio de uma conversa, ao cair da tarde, no despetalar de uma rosa vermelha, ao atravessar a rua, naquela viagem em férias para Paris, depois do primeiro gole de vodka, no término da leitura de Iluminations de Rimbaud, deitado no chão da sala sobre o tapete persa, olhando-se no espelho com um semblante cansado, sonhando com um tempo passado. O Amor pode se esvair com a mesma força com que invadiu um coração um dia, sumir como o crepúsculo de um inverno frívolo e desgastante. Após uma carta, um e-mail, um bilhete, antes de dizer adeus, sem dizer adeus, no silêncio do abandono, ao florescer os gerânios... Ele pode agonizar na sala de estar, no quarto, no carro, entre quatro paredes frias de verniz. Pode dar o último suspiro debruçado na cama, entre almofadas de cetim, após a última lágrima de melancolia. O Amor não tem um tempo para morrer, dispensa explicações para virar pó. Ainda que esteja nascendo neste momento, em algum lugar, ele pode morrer a qualquer hora.



Escrito por Luciana às 08h35
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Espelho, espelho meu, que tipo de homem sou eu?

 

 

Sim, meninas, hoje eu vou falar deles. Os homens, de um modo geral, são infinitamente mais despreocupados com a aparência do que as mulheres. Isso é natural, existe ainda um preconceito muito grande em relação a homens que dão valor demasiado à questão física. Haja vista, os metrossexuais, que assim são denominados desde 1994, e têm sido alvo de chacota (desde 2003) pelos retrossexuais, que repelem o cuidado exagerado com a aparência.  Nem tanto um, nem exageradamente outro, um homem chamará a atenção de uma mulher se ele estiver aparentando naturalidade, desde que não esteja com a barba por fazer e nem com a roupa surrada de dez anos atrás.

 

É preciso considerar que, hoje em dia, as mulheres estão bem mais exigentes, e o descuido com o visual pode comprometer consideravelmente o sucesso na hora da conquista. Embora as mulheres sejam seduzidas mais por palavras e ações masculinas, não significa que não percebam com olhos clínicos o que está à sua frente. Assim como os homens observam nas mulheres, cabelo, corpo, pernas, mãos, elas fazem uma leitura do quanto aquele homem provoca de interesse nela. E entram aí alguns recursos externos que podem pesar para que lhe seja despertado um desejo maior.

 

O sexo masculino, via de regra, é naturalmente prático. É claro que ele vai preferir produtos 3 em 1, comidas fáceis de preparar, roupas que não precisam ser passadas e sapatos confortáveis. Porém, é preciso levar em conta que “o que os olhos veem, o coração sente”. E elas veem muito bem. Uma total despreocupação com o estilo pode traduzir-se em falta de personalidade, desleixo e machismo. E não são todas as mulheres que estão dispostas a ficar ao lado de um homem que não esteja satisfatoriamente “apresentável”.

 

Os retrossexuais gostam de posar pela virilidade, realçando os traços masculinos de maneira rude e desprovida de senso estético. Eles surgiram exatamente para contrapor os conceitos narcisistas dos metrossexuais encampados pelo famosíssimo jogador David Beckham que apresenta seguidores em diferentes continentes. Podemos acrescentar aí Justin Timberlake, Rick Martin, Enrique Iglesias, Alexandre Pires e os emos em geral. Mas já que estou citando nomes famosos, no time adversário estão ninguém menos que Russel Crowe, Sean Pean, Benício del Toro, Steven Seagan Matthew McConaughey. E isso que nem vou citar Clint Eastwood  e Sylvester Stallone que já estão pendurando as chuteiras.

 

Pergunte a uma mulher moderna o que ela acha de um homem que se orgulha em dizer que no seu banheiro só tem água e sabonete. Tem certeza de que vai esperar para ouvir a resposta? É claro que ela aprecia um homem que usa loção pós-barba, um bom perfume, mantém o corte dos cabelos e se veste bem. Mas já não tenho certeza se ela apreciará dividir os cremes faciais e ter de esperar horas até que o seu deus-grego fique pronto para a festa. Também não imagino o que ela achará de encontrar o seu homem no salão de beleza alisando os cabelos e fazendo as unhas.

 

Acredito que um homem completo é aquele que terá dias de bebidas mais fortes e dias de sucos naturais. Ele consegue dimensionar até onde a sua personalidade o permitirá ir. Homens excessivamente preocupados com a aparência não terão tempo de apreciar a beleza da sua companheira que por natureza é vaidosa e necessita de elogios. A vantagem dessas mudanças comportamentais é que as mulheres estão podendo ampliar o seu leque de opções em matéria de universo masculino. A questão é apenas despir-se dos preconceitos e escolher qual é a camisa que vai vestir. Sinceramente, eu vou de Russel Crowe!



Escrito por Luciana às 17h09
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Mãe, essa é pra Você!

Hoje, no dia das Mães, estou aqui pra falar da minha mãe. Foi um pedido dela e eu não tive como recusar. Apesar de não ser muito bom em Redação, preciso fazer o meu papel, afinal de contas, sou filho único e não posso contar com ninguém pra me ajudar. Então lá vai!

Falar da minha mãe é fácil e difícil ao mesmo tempo. É meio complicado explicar os adultos, às vezes estão alegres e em outros momentos estão mal-humorados. Ela vive dizendo que não serve de exemplo em muita coisa e que devo pensar por mim, mas como fazer isso se só tenho doze anos?

As mães geralmente têm resposta pra tudo e sabem de todas as coisas: a hora de comer, de tomar banho, de estudar, com quem podemos sair, dizem pra andar agasalhado, calçado e ser educado com todo mundo. Nisso ela é mais ou menos igual, só não dá sermão e detesta me lembrar de coisas que já me ensinou.

Quando eu tiro uma nota baixa, ela simplesmente diz: - Aí, se ferrou, estuda pra próxima. Não sei se é bem isso que eu queria ouvir, mas é melhor do que os sermões da montanha que o meu pai costuma dar e que não terminam nunca. Longe dele, eu e ela rimos muito do quanto ele é chato e repetitivo.

Ela é ariana, e eu sou de Virgem. Ela fala alto e eu não. Às vezes diz palavrão e eu só fico olhando. Ela é bem extrovertida e vive dizendo que é pra eu ser mais desinibido. Quando estou irritado, fico quieto, e ela parece um furacão. Quando briga, esquece tudo em dois minutos e é superconfiável: nunca conta os meus segredos pro meu pai.  

Ela não gosta de cozinhar e isso faz com que a gente tenha que comer no restaurante várias vezes. Também não suporta afazeres domésticos e por isso já me ensinou a manter o meu quarto arrumado e a limpar tudo o que eu sujo. A parte mais legal é conversar com ela sobre mitologia, galáxias, ETs e astrologia. Mas ela também gosta de falar dos blogs e de algumas coisas antigas.

Ela é uma grande companhia... pra tudo: fazer os deveres, ir ao cinema, comprar roupas, ir ao médico, ao dentista, jogar videogame e ler os livros do colégio. Eu só posso dizer que a minha mãe é a pessoa mais importante pra mim porque sem ela nada teria graça. Ah, eu esqueci de dizer o quanto ela é divertida quando assistimos a filmes infantis e que nunca se esquece de me dar um beijo de boa-noite.

Pra homenageá-la hoje, já que ela gosta muito de música, escolhi uma que ela me mostrou outro dia e disse que fez parte da sua adolescência. É beeem antiga e têm umas partes engraçadas, mas é divertida - fala de uma mãe que é uma fera, bem diferente da minha, mas as duas se chamam Maria. Pra você, mãe, Luciana Maria, a música "Mama Maria"! E pras mães que passarem aqui, FELIZ DIA DAS MÃES

Por Rodrigo Nadolny

PS: Esta Redação foi corrigida por ela.



Escrito por Luciana às 00h00
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Depressão

Este post de hoje é consequência da leitura de ontem a respeito da depressão. Entrei em um site médico e acabei me interessando sobre esse assunto por causa do título que dizia: “Depressão: O Mal do Século”. Li o artigo todo e busquei algo mais (vídeo) para elucidar o texto que eu fiz imediatamente após a leitura do artigo, e aí está.

 

Muitas coisas nos impressionam quando se trata de saúde, especialmente aquelas que atingem um bom nútmero de pessoas. Todo mundo já ouviu falar de alguém que teve depressão, ou até pode ter tido essa moléstia que, ainda hoje, é ignorada como doença pela maioria das pessoas e, muitas vezes, não é tratada devidamente.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2020, a depressão será a segunda moléstia que mais roubará tempo de vida útil da população. Perderá apenas para as doenças do coração. A depressão é um transtorno do humor que surge como consequência de alguma perda, seja de um ente querido (falecimento), o fim de um relacionamento amoroso, a perda do emprego, de poder aquisitivo, perda da beleza, do vigor físico e sexual, enfim, vários são os motivos que podem acarretar em depressão.

 

Quando falamos que alguém está com depressão, imediatamente pensamos na causa que pode ter levado essa pessoa a chegar a esse ponto. Certamente, quem se sente deprimido é porque alguma coisa lá dentro não vai bem; a vida está lhe devendo algo, e já não importa o que ela conquistou ou tem atualmente, é uma sensação de vazio, de desesperança por dias melhores, e ela passa a acabrunhar-se, isolar-se do mundo porque já não consegue interagir com as pessoas de maneira espontânea e não alimenta mais expectativa pela conquista do que almejava ou ainda almeja.

 

A pessoa deprimida traz à tona uma série de lixos emocionais que ficaram na memória e agora ganharão vez e voz para habitarem todos os seus pensamentos. São mágoas, ressentimentos, desilusões, emoções negativas que começam a crescer e ganhar dimensões exageradas, passando a ocupar todo o seu universo mental. Ela resgatará todas as suas decepções e, sentindo-se incapaz para reagir, cairá em desânimo, em desinteresse completo pela vida. Terá um constante e assombroso sentimento de culpa por não conseguir sair desse ciclo emocional, e pouco fará para ver-se livre dessa sensação.

 

Na verdade, a pessoa que entra em estado depressivo começa a questionar o quanto errou na vida e como esses erros poderiam ter sido evitados se ela tivesse feito as coisas de outra forma, com mais lucidez, mais tato, mais inteligência. Ela não se perdoa por ter chegado até aqui e não ter conquistado o que realmente esperava para si. A dor, portanto, surge como “mea-culpa”, uma maneira de castigar-se (punir-se) por não ter feito o que queria de fato. E isso só será resolvido quando a sensação de solidão (tristeza) tornar-se significativamente insuportável. Ela precisa querer livrar-se dos nós das lembranças ruins que ficaram no passado.

 

É difícil falar em resultados rápidos, em soluções para problemas que muitas vezes levaram anos para se desenrolarem. É complicado ajudar alguém que insiste em manter esses fantasmas presentes na memória como se fossem companhias inseparáveis, que fazem parte da sua vida. Só haverá alguma mudança se a pessoa em estado de depressão quiser realmente mudar de vida. Ela precisa pensar só em si, esquecer os outros que a rodeiam e procurar ajudar-se olhando para a frente, para o que vai chegar. Ela precisa conscientizar-se de que as coisas podem dar certo, num futuro próximo, se ela permitir. Esse é apenas o primeiro passo, mas acredito eu, que é o mais acertado.    



Escrito por Luciana às 11h35
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O que faz a fama...

 

Hoje eu fiquei sabendo de um fato hilário que me deixou, no mínimo, pensativa. Tudo bem que eu não estranharia ser destacada como uma pessoa um pouco fora dos padrões comportamentais da maioria das pessoas, mas não pensei que a fama chegasse a esse ponto. E a coisa veio à tona porque há uns dias tivemos uma reunião no colégio onde trabalho, e eu, completamente cansada, não participei da reunião, mas estava presente. Sentei-me no fundo da sala e lá fiquei envolvida nos meus pensamentos.

 

Enquanto transcorria a reunião-palestra, houve uma ou duas polêmicas acerca de um texto que a palestrante havia trazido para discussão com o grupo, mas eu não o li porque, como disse, estava cansada, sem ânimo para me interar do assunto em questão. Então fiquei quieta, sem dizer palavra, apenas com o “corpo presente” e o restante voando por aí.

 

No outro dia, ao fazerem o levantamento dos presentes, chegaram à conclusão que eu não estava na reunião e quase levei falta. Gente, como eu consegui isso? Estava tão ausente nesse evento que até fiquei invisível? E o pior é que foram várias pessoas que chegaram à essa conclusão. Não fosse a minha amiga Silvana, eu teria levado falta pelo simples fato de não ter me manifestado como sempre faço. O bom da história é que tudo acabou em farra e boas risadas com a minha supervisora e amiga que eu adoro. E foi ela quem me disse: o que faz a fama, hein...

 

Porém, trazendo isso para cá, para o outro lado da minha vida, considerei esse fato digno de ser analisado: mais de uma pessoa não me viu e todas argumentaram a mesma coisa: como ela poderia estar na reunião se não falou nada? Nenhuma observação, nenhum adendo, nenhuma pergunta, nada. Não é típico do meu comportamento. Daí, concluírem a respeito da minha ausência. Confesso que isso deixou-me bastante reflexiva. A maioria das pessoas está tão acostumada com esse meu jeito polêmico de encarar a vida, que até sente falta quando eu não o coloco em prática.

 

Isso é meio perigoso, pois acho que acabo gerando uma expectativa em torno das minhas atitudes. Ora, nem todos os dias eu estou para conversa, assim como não é sempre que estou para polêmica. Quem me conhece de fato, sabe que não quero a guerra sempre; posso ser doce de vez em quando e nem por isso estar fazendo tipo. Posso gostar de algumas pessoas que me cercam sem ficar demonstrando amizade o tempo todo. Esse é o meu jeito!

 

Posso até entender que muitas pessoas que me rodeiam não me aceitem como eu sou, não gostem desse estilo “sou assim e pronto” e prefiram não ter a minha companhia, mas o que não aceito de jeito nenhum são pessoas que reprovam, julgam e condenam o meu comportamento sem me conhecerem de fato. Por certo, estão acima do bem e do mal. São melhores em quê? Para essas, só tenho uma coisinha a dizer: - Tô c****** pra vocês!



Escrito por Luciana às 18h34
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